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Elétricos na Europa em setembro de 2026: Portugal perto de metade do mercado, Tesla e BYD a disparar

Carro elétrico branco a carregar numa rua da cidade

Os carros elétricos a bateria tiveram em setembro de 2026 um dos melhores meses de sempre na Europa. Segundo os dados provisórios da ACEA, a associação europeia dos construtores, divulgados a 22 de outubro, as matrículas de elétricos puros na União Europeia subiram 72,9% face a setembro de 2025 e chegaram a cerca de 30% de todos os carros novos. Em Portugal, o salto foi ainda maior: 87,4%, com quase metade das matrículas do mês a serem de elétricos.

Neste artigo resumimos os números que interessam, de Portugal à Europa, mostramos quem está a ganhar e quem está a perder terreno e explicamos o que isto pode significar para quem pensa mudar de carro. Todos os valores vêm da ACEA e da cobertura do setor, com as fontes no fim.

Resposta rápida

  • Europa (UE): 290.117 elétricos puros matriculados em setembro, mais 72,9% do que há um ano. Foram cerca de 29,9% dos 971.048 carros novos.
  • Portugal: 9.338 elétricos em setembro, mais 87,4%, num mercado total de 19.589 carros (mais 15,2%). Isso dá cerca de 47,7% de quota.
  • No ano (janeiro a setembro): a quota dos elétricos na UE é de 22,7%, contra 16,1% há um ano.
  • Combustão em queda: a gasolina caiu 23,4% e o diesel 29,6% em setembro.
  • Marcas: a BYD mais do que duplicou e a Tesla subiu 78,6% na UE. O grupo Volkswagen recuou 4,1%.
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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

O que dizem os números da ACEA

No conjunto da União Europeia, o mercado de carros novos cresceu 9,3% em setembro, para 971.048 unidades. Na UE alargada, que inclui os países da EFTA e o Reino Unido, o crescimento foi de 10,2%, para 1.363.210. Mas o que chama a atenção não é o total: é a mistura.

Motorização (UE)Setembro 2026VariaçãoQuota no ano (jan a set)
Elétrico a bateria290.117+72,9%22,7%
Híbrido plug-in102.267+11,7%10,1%
Híbrido (não plug-in)330.693+7,3%36,3%
Gasolina168.564−23,4%21,2%
Diesel50.557−29,6%7,1%

Entre janeiro e setembro, a gasolina e o diesel juntos pesam 28,2% do mercado da UE, contra 36,9% no mesmo período do ano passado. Os elétricos a bateria passaram de 16,1% para 22,7%. Os híbridos não plug-in continuam a ser a maior fatia, com 36,3%.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Portugal: quase metade dos carros novos já é elétrica

Os dados de Portugal fazem do país um dos que mais se destacam no mês. Em setembro foram matriculados 19.589 carros novos, mais 15,2% do que um ano antes. Destes, 9.338 foram elétricos, uma subida de 87,4%. Fazendo as contas a partir dos números da ACEA, isso corresponde a cerca de 47,7% do mercado do mês.

PortugalSetembro 2026VariaçãoJaneiro a setembroVariação
Elétrico a bateria9.338+87,4%54.726+49,1%
Híbrido plug-in3.022−3,0%28.328+13,7%
Híbrido (não plug-in)3.446+0,1%49.431+23,4%
Gasolina2.004−32,0%37.253−18,5%
Diesel530−53,7%6.584−32,6%
Total19.589+15,2%188.912+10,1%

No acumulado do ano, o total de carros novos em Portugal cresceu 10,1%, para 188.912, e os elétricos chegaram a 54.726 unidades. Pelas nossas contas, isso dá uma quota próxima de 29% no ano. O diesel continua a cair de forma acentuada, com menos 53,7% em setembro.

Convém lembrar que estes valores são provisórios e que um só mês pode ser influenciado por campanhas, entregas atrasadas ou prazos de incentivos. A tendência de fundo, porém, é clara: os elétricos ganham quota todos os meses em que há dados.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Quem está a ganhar: Tesla, BYD e as marcas chinesas

No mercado da UE, a Tesla registou 45.866 carros em setembro, mais 78,6%, depois de um agosto fraco. No acumulado do ano soma 188.035 matrículas, mais 68,9%. A cobertura do setor refere que, na Europa alargada, a subida da Tesla foi de 72,5% em setembro.

A BYD foi ainda mais longe: 28.309 matrículas na UE em setembro, mais 111,4%, e 206.002 no ano, mais 154,4%. No acumulado, a BYD já está acima da Tesla na União Europeia (206.002 contra 188.035). Na Europa alargada, a BYD matriculou 49.953 carros em setembro, mais 98,7%.

Marca (Europa alargada)Setembro 2026Variação
BYD49.953+98,7%
Chery (inclui Jaecoo, Jetour e Omoda)52.801+185,5%
SAIC (dona da MG)41.987+23,7%
Leapmotor14.594+323,9%

As marcas chinesas, no seu conjunto, estão a crescer muito mais depressa do que as europeias. A Leapmotor, que tem acordo com o grupo Stellantis, mais do que quadruplicou. O Stellantis e a Leapmotor juntos tinham 16,7% do mercado da UE entre janeiro e setembro.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Quem está a perder terreno

O grupo Volkswagen matriculou 231.474 carros na UE em setembro, menos 4,1%, e a marca Volkswagen caiu 7,0%. O grupo continua a liderar com 23,8% do mercado, mas a quota encolhe quando o mercado cresce e ele fica parado. A Renault cresceu 1,8% e o Stellantis 4,7%, ambos abaixo do ritmo do mercado.

A leitura é simples: o mercado cresce, mas quem cresce mais são os elétricos e as marcas que apostaram neles mais cedo ou com preços mais baixos. Os construtores que dependem de gasolina, diesel e híbridos simples sentem a pressão.

Os países que puxam o mercado

A Alemanha registou 88.599 elétricos em setembro, mais 94,7%, e uma quota de 34,5% do mercado alemão. A França chegou aos 65.243, mais 107,5%. A Dinamarca matriculou 17.784, mais 36,9%. Alemanha, França, Dinamarca e Bélgica representam em conjunto cerca de 64% dos elétricos matriculados na UE.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

O que isto pode significar para quem quer comprar

  • Mais oferta e mais concorrência. Com mais marcas a vender elétricos, os preços tendem a descer e os descontos a aparecer. Compara sempre o preço final, com incentivos e condições de financiamento.
  • Carregamento. Mais carros implicam mais procura nos postos públicos. Se podes carregar em casa ou no trabalho, a conta fica mais previsível.
  • Usados. Com mais elétricos novos a chegar, o mercado de usados vai crescer. Verifica o estado da bateria antes de comprar.
  • Marcas novas. Marcas chinesas têm bons preços, mas convém ver a rede de assistência e a garantia em Portugal ou no Brasil.

Se estás a comparar modelos, preços e autonomia, os nossos guias de carros elétricos e híbridos para 2026 reúnem as marcas principais. Para o Brasil, há um artigo dedicado com o mercado local.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

O que ainda não sabemos

Os números da ACEA são provisórios e poderão ser revistos. Também não se sabe se este ritmo se mantém no último trimestre do ano, nem como a quota dos elétricos vai reagir às mudanças de incentivos nos vários países. Voltamos a este assunto quando saírem os dados de outubro.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Como ler os números da ACEA sem tirar conclusões erradas

Os dados da ACEA contam matrículas de carros novos, não carros em circulação. Um mês muito forte de elétricos mostra o que as pessoas e as empresas compraram nesse período, mas não diz quantos elétricos existem nas estradas. Além disso, há alguns cuidados que ajudam a interpretar qualquer relatório:

  • Quota de mercado não é volume. Um país pequeno pode ter uma quota altíssima com poucos milhares de carros, e um país grande uma quota mais baixa com muito mais unidades.
  • Elétricos puros (BEV) e híbridos plug-in (PHEV) são coisas diferentes. A ACEA separa-os; as notícias nem sempre.
  • Um mês não é uma tendência. Os meses de fim de trimestre, como setembro, costumam trazer campanhas comerciais que empurram as vendas. O que conta é a evolução ao longo de vários meses.
  • Frotas pesam. Em Portugal, as empresas e as rent-a-car representam uma fatia importante das matrículas, o que também influencia a quota de elétricos.
  • Comparações com o ano anterior dependem da base. Crescer muito sobre um mês fraco impressiona menos do que parece.

O apoio à compra em Portugal em 2026

Em Portugal, o Fundo Ambiental lançou em 2026 uma nova fase de apoio à compra de veículos elétricos com abate de um carro antigo. Segundo o Observador, a dotação foi de 10 milhões de euros, com candidaturas entre 11 de junho e 27 de julho de 2026 (ou até esgotar a verba). Para particulares, o incentivo era de 4.000 euros por carro 100% elétrico novo com preço até 38.500 euros (55.000 euros para veículos com mais de cinco lugares), com a condição de entregar para abate um veículo a combustão com mais de dez anos. O apoio incluía ainda carregadores domésticos, com comparticipação de 80% do equipamento e da instalação elétrica até aos limites definidos, bem como bicicletas de carga, bicicletas elétricas e motociclos.

Esta janela já está fechada, e os apoios deste tipo costumam esgotar-se depressa e variar de ano para ano. Se estás a pensar comprar, consulta o site do Fundo Ambiental para confirmar se há uma nova fase, quais são as regras e os prazos, e não assumas que o apoio de 2026 se repete.

Quanto custa realmente ter um elétrico em Portugal

O preço de compra é só uma parte da conta. Para comparar com um carro a combustão, convém olhar para o custo total ao longo de vários anos:

  • Energia: carregar em casa, sobretudo com tarifa bi-horária ou tri-horária, costuma ser bastante mais barato por quilómetro do que a gasolina ou o gasóleo. Nos postos públicos rápidos, o preço por kWh é bem mais alto e a diferença encolhe.
  • Impostos: os carros elétricos beneficiam de isenção de IUC e, para empresas, de regras mais favoráveis na tributação autónoma, dentro dos limites de preço previstos na lei. Confirma sempre a situação atual junto de um contabilista ou na Autoridade Tributária.
  • Manutenção: menos peças em movimento e sem óleo do motor tendem a reduzir a fatura da oficina, mas pneus e travagem continuam a gastar-se, e os pneus podem desgastar-se mais depressa por causa do peso e do binário.
  • Seguro: varia muito consoante o modelo e o custo previsto de reparação das baterias e dos sensores.
  • Depreciação: o valor de revenda de elétricos usados ainda é mais incerto do que o dos carros a combustão, e depende muito da evolução tecnológica.

Checklist antes de comprar um elétrico

  • Onde vais carregar? Garagem própria, lugar no condomínio, carregamento no trabalho ou só postos públicos?
  • Quantos quilómetros fazes por dia e por ano, e com que frequência fazes viagens longas?
  • Qual é a autonomia real em autoestrada com tempo frio, e não só o valor do catálogo (WLTP)?
  • Qual é a potência máxima de carregamento rápido e quanto tempo demora de 10% a 80%?
  • Quais são as garantias da bateria (anos e quilómetros) e as condições de substituição?
  • Existe assistência de marca perto de ti?
  • Há apoios ou incentivos ativos neste momento?

Perguntas frequentes

Qual foi a quota dos elétricos em Portugal em setembro de 2026?

Cerca de 47,7%. Foram 9.338 elétricos a bateria num total de 19.589 carros novos, segundo os dados da ACEA. A percentagem é um cálculo nosso a partir desses números.

A BYD já vende mais do que a Tesla na Europa?

Na União Europeia, no acumulado de janeiro a setembro, sim: 206.002 contra 188.035 matrículas. Em setembro, a Tesla ficou acima da BYD na UE (45.866 contra 28.309). Os números mudam de mês para mês.

Os dados da ACEA incluem carros híbridos?

Sim. A ACEA divulga elétricos a bateria, híbridos plug-in, híbridos não plug-in, gasolina e diesel em separado.

O que significa «matrículas»?

São os carros novos registados no mês. Não são, rigorosamente, as vendas ao cliente final, mas é o indicador que a indústria usa para medir o mercado.

Estes números aplicam-se ao Brasil?

Não. A ACEA cobre a Europa. O mercado brasileiro tem as suas próprias estatísticas e marcas, e por isso tem um artigo à parte no GiroMundial.

Os elétricos já compensam em Portugal?

Para muitos condutores, sim, sobretudo quando conseguem carregar em casa e fazem muitos quilómetros por ano. Para quem só pode usar postos públicos rápidos, a poupança diminui. A resposta depende do teu padrão de utilização e do preço do modelo.

A quota de quase 50% significa que metade dos carros em Portugal são elétricos?

Não. Refere-se aos carros novos matriculados num mês. O parque automóvel total, com milhões de carros mais antigos, tem uma percentagem de elétricos bastante menor.

Quando saem os dados de outubro?

A ACEA costuma publicar os números de cada mês cerca de três a quatro semanas depois do fim do mês, por isso os de outubro deverão sair no final de novembro. Atualizaremos este artigo quando forem divulgados.

Fontes: ACEA: comunicado de matrículas de setembro de 2026 (dados provisórios, 22/10/2026); electrive: BEV registrations rose sharply across Europe in September; Drive Tesla: Tesla Europe registrations September. As quotas de Portugal e de setembro na UE são cálculos do GiroMundial com base nos números da ACEA. Informação sobre o incentivo à compra de elétricos em Portugal: Observador (11 de junho de 2026) e Fundo Ambiental.

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