×

Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar

Meteoros a riscar um céu estrelado sobre uma falésia rochosa

Novembro é um bom mês para quem gosta de olhar para cima. Em 2026, três chuvas de meteoros cruzam-se no céu: as Táuridas do Sul, as Táuridas do Norte e as Leónidas. Nenhuma é uma chuva espetacular, mas as condições da Lua são favoráveis para as Táuridas, e as Leónidas, as mais conhecidas, têm uma história que merece ser contada.

Neste guia explicamos o que são as chuvas de meteoros, as datas e horas a ter em conta, como e onde observar, o que levar e como fotografar com um telemóvel ou uma câmara. As datas e taxas vêm de calendários astronómicos de referência e são estimativas: o que acontece de facto depende da noite, do local e do tempo.

Resposta rápida

  • Táuridas do Sul: pico por volta de 4 e 5 de novembro, com Lua quase nova, em pouca quantidade mas com muitas bolas de fogo.
  • Táuridas do Norte: pico por volta de 11 e 12 de novembro, com Lua muito fina e céu escuro.
  • Leónidas: pico entre 16 e 18 de novembro, com cerca de 15 meteoros por hora em condições ideais, e Lua em quarto crescente que se põe a meio da noite.
  • Quando olhar: depois da meia-noite e antes do amanhecer.
  • O que precisas: céu limpo, afastamento da luz da cidade, 20 a 30 minutos de adaptação à escuridão e paciência. Não precisas de telescópio nem de binóculos.
chuva-de-meteoros-sobre-uma-falesia Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

O que são as chuvas de meteoros

Uma chuva de meteoros acontece quando a Terra atravessa uma nuvem de pequenos fragmentos deixados por um cometa ou um asteroide. Esses fragmentos, chamados meteoroides, entram na atmosfera a dezenas de quilómetros por segundo e queimam por atrito, deixando um rasto luminoso a que chamamos meteoros, ou estrelas cadentes. Se algum resistir e chegar ao chão, passa a chamar-se meteorito.

Os meteoros de uma mesma chuva parecem sair de um ponto no céu, o radiante, e é a constelação onde ele está que dá o nome à chuva. As Leónidas têm o radiante na constelação do Leão. Os meteoros aparecem em todo o céu, não só junto ao radiante, e os mais longos e bonitos costumam estar a alguma distância dele.

Calendário das chuvas de novembro de 2026

ChuvaAtividadePicoMeteoros por hora (ZHR)Lua no pico
Táuridas do Sul20 de setembro a 20 de novembro4 e 5 de novembrocerca de 5cerca de 18% iluminada
Táuridas do Norte20 de outubro a 10 de dezembro11 e 12 de novembrocerca de 5cerca de 7% iluminada
Leónidas6 a 30 de novembro16 a 18 de novembrocerca de 1545 a 53% iluminada (quarto crescente)

O ZHR (taxa horária zenital) é um valor teórico, calculado para um céu perfeito com o radiante no zénite. Na prática, vês bastante menos. As datas variam um dia ou dois consoante a fonte e o fuso horário, porque o pico dura várias horas.

Um resumo curto do calendário:

Vídeo: canal Luas e Datas. Incorporado do YouTube, com os créditos ao canal.

p1626-r1621 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Táuridas: poucas, mas com bolas de fogo

As Táuridas são chuvas lentas, de baixa taxa, mas conhecidas por produzirem bolas de fogo (meteoros muito brilhantes). Como as Táuridas do Sul e as do Norte se sobrepõem entre o fim de outubro e o início de novembro, a atividade de bolas de fogo pode aumentar nesse período. Em 2026, os calendários indicam uma Lua muito pouco iluminada nos dois picos, o que é uma vantagem: o céu fica escuro e até meteoros mais fracos se veem.

Não esperes uma chuva intensa: em média, uns cinco por hora em cada uma. Mas, com sorte, podes ver um meteoro muito brilhante, e isso justifica meia hora de céu estrelado.

Leónidas: a chuva com história

As Leónidas vêm dos detritos do cometa 55P/Tempel-Tuttle, que dá a volta ao Sol em cerca de 33 anos. É uma chuva com um passado dramático: em alguns anos, perto da passagem do cometa, produziu autênticas tempestades de meteoros, com milhares por hora. Em 2026 não se prevê nada disso. Os calendários apontam uma taxa de cerca de 15 por hora e nenhuma explosão de atividade ("outburst") prevista. As próximas passagens mais próximas do cometa são em 2031 e 2064, anos em que as taxas podem voltar a subir.

Tudo sobre as Leónidas, explicado em vídeo:

Vídeo: canal Astro Space. Incorporado do YouTube, com os créditos ao canal.

meteoros-2 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Foto: Adolf Vollmy / Wikimedia Commons / Public domain

O pico deste ano deve acontecer na noite de 16 para 17 e na de 17 para 18 de novembro, sendo que uma das referências indica o máximo por volta das 23h45 GMT de 17 de novembro. Como o pico é largo, tanto uma noite como a outra servem. A Lua estará em quarto crescente e põe-se por volta da meia-noite, hora local, o que deixa a segunda parte da noite escura, a melhor para observar.

p1626-r1620 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Onde e quando observar

  • Quando: depois de a Lua se pôr e até ao amanhecer. Entre a 1h e as 5h da manhã costuma ser o melhor período, porque o radiante do Leão está mais alto no céu.
  • Onde: longe da iluminação pública. Um campo aberto, uma praia, uma serra ou uma zona de baixa poluição luminosa, como a Reserva Dark Sky do Alqueva, no Alentejo, em Portugal, fazem uma grande diferença.
  • Hemisfério: as Leónidas veem-se melhor no hemisfério norte. No Brasil também se podem ver, mas com menos meteoros e com o radiante mais baixo, e o melhor é observar depois da meia-noite.
  • Direção: não precisas de olhar para o Leão. Olha para o céu todo, ou para uma zona a cerca de 45 graus do radiante, onde os rastos são mais longos.
p1626-r1622 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

O que levar e como te preparar

  • Roupa quente. Em novembro, as noites ao ar livre arrefecem muito. Leva um casaco, gorro, luvas e uma manta.
  • Uma cadeira reclinável ou um tapete. Deitado, vês o céu todo e não ficas com dores no pescoço.
  • Uma bebida quente e algo para petiscar. Uma hora de observação passa muito mais depressa.
  • Lanterna com luz vermelha. Preserva a visão noturna. Se usares o telemóvel, põe o brilho no mínimo e ativa o modo noturno.
  • Previsão do tempo. Verifica a nebulosidade. Sem céu limpo, não há espetáculo.
  • Companhia. Um amigo ou familiar torna a noite melhor e mais segura, sobretudo em locais isolados.

A tua visão precisa de 20 a 30 minutos para se adaptar à escuridão. Evita olhar para o ecrã do telemóvel nesse período, porque a luz branca estraga a adaptação e é preciso começar de novo.

Dicas práticas de observação e fotografia:

Vídeo: canal Astro Space. Incorporado do YouTube, com os créditos ao canal.

p1626-r1624 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Como fotografar meteoros

Fotografar meteoros exige paciência, porque não se sabe quando e onde vai aparecer o próximo. A estratégia é deixar a câmara a disparar sozinha e escolher as melhores imagens depois.

meteoros-36 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Foto: Brainandforce / Wikimedia Commons / CC BY 4.0
  • Câmara ou telemóvel com modo noturno. Uma câmara com objetiva grande angular (entre 14 e 24 mm) e boa abertura (f/2.8 ou menor) é o ideal.
  • Tripé. É essencial, porque as exposições são longas.
  • Definições de partida: ISO entre 1600 e 3200, exposição de 10 a 20 segundos, foco manual no infinito. Ajusta conforme o céu.
  • Disparo automático. Usa um temporizador ou um intervalómetro para tirar fotos seguidas durante uma hora ou mais.
  • Enquadramento. Aponta para uma zona do céu, de preferência com uma silhueta de árvores ou colinas. Não precisas de apontar para o radiante.
  • No telemóvel: usa o modo noturno ou astrofotografia, apoia o aparelho num tripé e tira exposições longas. Não esperes os mesmos resultados de uma câmara.
p1626-r1640 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Erros que estragam a observação

  • Ficar poucos minutos. Os meteoros não aparecem a um ritmo regular. Dá pelo menos uma hora.
  • Olhar para o telemóvel. A luz do ecrã destrói a adaptação da vista.
  • Escolher um local com luz. Candeeiros, faróis e luzes de casas diminuem muito o número de meteoros visíveis.
  • Esperar uma tempestade. As Leónidas de 2026 são uma chuva normal. A graça está em ver um ou outro rasto brilhante.
  • Ignorar a hora. As melhores horas são de madrugada, não ao anoitecer.
p1626-r1623 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

E depois? Os próximos eventos no céu

Se gostares da experiência, a próxima grande chuva do ano são as Gemínidas, em meados de dezembro, normalmente uma das mais ricas do calendário. Se te interessa o espaço em geral, no nosso site encontras artigos sobre as missões Artemis, o cometa interestelar 3I/ATLAS e as descobertas do telescópio James Webb.

p1626-r1618 Chuva de meteoros em novembro de 2026: Leónidas e Táuridas, datas e como observar
Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Leónidas 2026: sem tempestade à vista

As Leónidas ganharam fama por causa das «tempestades» históricas, como as de 1833 e 1966, em que se contaram milhares de meteoros por hora. Em 2026, porém, não há previsão de nenhum surto significativo. O máximo está previsto para a noite de 17 para 18 de novembro, com cerca de 15 meteoros por hora em condições ideais, segundo a Star Walk. A Lua estará perto do quarto crescente, com cerca de 53% iluminada, e põe-se por volta das 23 horas, deixando o resto da noite escuro. As previsões apontam para uma possível nova tempestade por volta de 2033, mas isso é uma estimativa com bastante incerteza.

Um vídeo sobre a origem e a data das Leónidas deste ano:

Vídeo: canal Radar Orbital. Incorporado do YouTube, com os créditos ao canal.

A conclusão prática é simples: não esperes um espetáculo. Espera uma noite agradável de observação em que podes ver alguns meteoros rápidos, e com sorte uma bola de fogo. A graça está em estar lá, e o melhor horário é depois de a Lua se pôr, até ao amanhecer.

De onde vem a poeira: dois cometas, duas histórias

Todas estas chuvas nascem de rastos de poeira deixados por cometas. As Leónidas vêm do cometa 55P/Tempel-Tuttle, que passa perto do Sol cerca de uma vez a cada 33 anos, e é por isso que as grandes tempestades surgem em ciclos. As Táuridas do Sul estão associadas ao cometa 2P/Encke, o de órbita mais curta que conhecemos, com cerca de três anos. As Táuridas do Norte têm uma origem menos certa, possivelmente ligada ao asteroide 2004 TG10. Os meteoros das Táuridas são mais lentos e, por vezes, mais brilhantes e demorados, daí a fama de produzirem bolas de fogo, enquanto as Leónidas são das mais rápidas, entrando na atmosfera a cerca de 70 km por segundo.

Observar a partir de Portugal

Portugal tem condições muito boas para quem quer fugir à poluição luminosa. A região do Alqueva é certificada como Reserva Dark Sky, um dos melhores locais da Europa para observar o céu noturno, e muitas zonas do interior alentejano, de Trás-os-Montes e da Beira Interior oferecem céus escuros. Se vives numa cidade, procura um miradouro, uma praia afastada das luzes ou um descampado a 20 ou 30 minutos de carro. Consulta a previsão de nuvens antes de saíres: um céu escuro e coberto não serve de nada.

Conta meteoros e ajuda a ciência

Observar pode ser mais do que um passatempo. Organizações como a International Meteor Organization recolhem contagens feitas por observadores amadores em todo o mundo para estudar a atividade de cada chuva. Para participares, regista a hora de início e de fim, a zona do céu que observaste, a quantidade de meteoros e a qualidade do céu (a magnitude limite). Mesmo sem enviar dados, contar meteoros durante uma hora dá-te uma boa noção do ritmo real da chuva e é uma ótima atividade para fazer com crianças.

Calendário de bolso para a noite certa

  • 4 e 5 de novembro: pico das Táuridas do Sul, com Lua muito fina e céu escuro à volta da meia-noite.
  • 11 e 12 de novembro: pico das Táuridas do Norte, logo após a Lua nova de dia 9, o que dá noites bem escuras.
  • 17 e 18 de novembro: pico das Leónidas, melhor depois de a Lua se pôr, por volta das 23 horas.
  • Qualquer noite limpa: as três chuvas estão ativas ao mesmo tempo durante várias semanas, por isso tens várias oportunidades.

Perguntas frequentes

Preciso de telescópio ou binóculos para ver meteoros?

Não. Os meteoros veem-se a olho nu, e os binóculos e telescópios reduzem o campo de visão, o que dificulta. O melhor instrumento é um céu escuro e paciência.

Quantas Leónidas vou ver?

Em condições ideais, cerca de 15 por hora. Na prática, com algum céu iluminado, serão menos. A Lua em quarto crescente atrapalha na primeira parte da noite, por isso o melhor é esperar que se ponha.

Qual é a melhor noite para ver as Leónidas?

A noite de 16 para 17 de novembro e a de 17 para 18 são ambas boas. O pico é largo, por isso podes ver meteoros nas noites à volta, de 14 a 20 de novembro.

Porque é que se chamam Leónidas?

Porque os meteoros parecem vir da constelação do Leão (em latim, Leo). É o radiante que dá o nome às chuvas de meteoros.

As Táuridas são perigosas para a Terra?

Não. Os fragmentos são minúsculos e queimam na atmosfera. O que se chama «bola de fogo» é um meteoro muito brilhante, não um objeto que chegue ao chão.

As Táuridas são perigosas para a Terra?

Não há motivo para preocupação. Um estudo da Universidade de Maryland, citado pela Star Walk, não encontrou asteroides no enxame e estimou entre 9 e 14 objetos com cerca de 100 metros ou mais. Também não existe nenhuma previsão de impacto. As bolas de fogo que vemos são, em geral, grãos de poeira do tamanho de uma ervilha a arder na atmosfera.

Preciso de telescópio ou binóculos?

Não. Os meteoros são rápidos e aparecem em qualquer zona do céu, por isso um telescópio ou binóculos só reduz o campo de visão. Os olhos, uma cadeira reclinável e paciência são o melhor equipamento.

Quanto tempo devo ficar a observar?

Pelo menos uma hora. Os olhos precisam de cerca de 20 minutos para se adaptarem ao escuro e, mesmo numa chuva fraca, os meteoros aparecem em momentos irregulares, com minutos de pausa entre eles.

Fontes: Star Walk: Leonids 2026; American Meteor Society: calendário de chuvas de meteoros 2026-2027. As datas, as taxas e a percentagem de Lua variam ligeiramente entre fontes e fusos horários; os valores aqui são aproximados. Datas, taxas e Lua: Star Walk (Leónidas e Táuridas 2026), consultado a 24 de outubro de 2026; Reserva Dark Sky Alqueva.

Partilhar este artigo

Publicar comentário