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NVIDIA Vera Rubin: o computador de IA «sem cabos» que se monta em menos de 5 minutos

Rack de servidores com iluminação azul num data center, imagem ilustrativa de infraestrutura de IA

Na keynote da GTC Berlim, a 21 de outubro de 2026, Jensen Huang, CEO da NVIDIA, puxou uma bandeja de computação do Vera Rubin no palco e apresentou-a como o primeiro computador da empresa sem cabos, sem fios e 100% arrefecido a líquido. A promessa mais citada: uma tarefa que levava cerca de duas horas na geração anterior passa a demorar menos de cinco minutos. Mas o que é que isso significa na prática, e o que ainda é marketing?

Resposta rápida

  • O que é: o Vera Rubin é a nova plataforma da NVIDIA para centros de dados de IA, sucessora da Grace Blackwell.
  • O que é novo: a bandeja de computação deixa de ter cabos internos (usa conectores de encaixe), mangueiras e ventoinhas, e é 100% arrefecida a líquido.
  • Montagem: de cerca de duas horas (Grace Blackwell) para menos de cinco minutos, segundo os números da NVIDIA.
  • Estado: a NVIDIA diz que está em produção plena; os primeiros racks já correm em nuvens como CoreWeave, Google Cloud, Microsoft Azure, Oracle e Nebius.
  • Para quem é: não é um PC. É infraestrutura para treinar e servir modelos de IA em grande escala.
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Imagem ilustrativa de um data center (não é o Vera Rubin). Foto: panumas nikhomkhai / Pexels

O que é o Vera Rubin

O Vera Rubin é uma plataforma completa, não apenas um chip. Junta o processador Vera (CPU) e a GPU Rubin num rack chamado NVL72, que liga 72 GPUs e 36 CPUs como se fossem um único supercomputador. Segundo as especificações divulgadas pela NVIDIA, cada GPU Rubin chega a 50 petaflops em inferência com NVFP4 e 35 petaflops em treino, e a CPU Vera tem 88 núcleos.

O objetivo é simples: gerar mais “tokens” (as palavras que a IA produz) por cada euro e por cada watt gasto. É isso que decide quanto custa pôr um modelo como o ChatGPT ou o Claude a responder a milhões de pessoas. Se queres perceber esse lado do mercado, vê o nosso guia de preços das IAs em 2026.

O que quer dizer “sem cabos”

É preciso ler com atenção. O “sem cabos” aplica-se à bandeja de computação: os cabos internos das gerações anteriores foram substituídos por conectores de encaixe, e a bandeja dispensa também mangueiras e ventoinhas. A bandeja continua, no entanto, a ligar-se à energia e à rede do rack, e o centro de dados continua a precisar de cabos e tubagens à volta. Ou seja, o ganho está na montagem e na manutenção, não em acabar com a cablagem de um data center.

Montagem em menos de 5 minutos: porque importa

Segundo Huang, montar uma unidade Grace Blackwell levava cerca de duas horas, com “cabos e fios por todo o lado” e 80% do arrefecimento a líquido. No Vera Rubin, o arrefecimento passa a ser 100% líquido e a montagem cai para menos de cinco minutos. Os números de duas horas e cinco minutos vêm do blogue da NVIDIA, por isso são dados do fabricante.

Quando se montam milhares de bandejas, minutos poupados em cada uma acumulam-se: menos erros de ligação, menos peças que podem falhar e substituições mais rápidas. É uma melhoria industrial que se nota na fiabilidade e no custo de operar.

Já está em produção?

A NVIDIA afirma que sim. De acordo com o balanço que a imprensa especializada fez da keynote, as primeiras remessas de produção começaram em agosto de 2026 e, no final desse mês, havia racks a funcionar na CoreWeave, Google Cloud, Microsoft Azure, Oracle Cloud Infrastructure e Nebius. A empresa espera que o Vera Rubin represente cerca de 20% da receita de centros de dados no terceiro trimestre fiscal de 2027.

Os números impressionantes: o que é marketing

No palco, Huang falou em desempenho cerca de 30 vezes superior ao da Blackwell. Os materiais escritos da NVIDIA são mais específicos: mais de 30 vezes de débito por megawatt face ao GB300 NVL72 e até 45 vezes menos custo por milhão de tokens, mas com base num único modelo de teste e em dados de uma consultora externa. Outras comparações da própria empresa usam números diferentes (por exemplo, 35 vezes ou 10 vezes, conforme o sistema de referência). Conclusão prática: são ordens de grandeza úteis, mas não valores universais. Convém esperar por testes independentes.

A estratégia europeia: DSX POD e “fábricas de IA”

A keynote foi em Berlim por uma razão. Huang apresentou o DSX POD, um desenho de referência em que centros de dados Vera Rubin chegam pré-montados em contentores. A NVIDIA diz que o tempo de instalação desce de cerca de seis meses para até 14 dias depois de o local ter eletricidade e infraestrutura, com entregas a partir do início de 2027 e 17 parceiros envolvidos, entre eles Dell, HPE, Lenovo, Schneider Electric e Vertiv.

  • Investimento: a NVIDIA fala em perto de 10 mil milhões de dólares comprometidos com a Europa, sem detalhe de repartição.
  • Água e energia: o arrefecimento a líquido com água até 45 °C permite dispensar torres evaporativas; os ganhos dependem do clima local.
  • Custo de uma fábrica de IA: a empresa dá valores entre 50 e 60 mil milhões de dólares por gigawatt, consoante a fonte, pelo que o número exato é incerto.
data-center-racks-ia-arrefecimento NVIDIA Vera Rubin: o computador de IA «sem cabos» que se monta em menos de 5 minutos
Imagem ilustrativa de racks num data center. Foto: panumas nikhomkhai / Pexels

O que muda para quem não gere data centers

Diretamente, nada: não vais comprar um Vera Rubin. Indiretamente, quanto mais barato e rápido for gerar respostas de IA, mais fácil é as empresas baixarem preços, aumentarem limites de uso e lançarem modelos maiores. Isso liga-se à corrida que explicamos nos nossos textos sobre as melhores IAs para usar atualmente e sobre os robôs que também dependem desta capacidade, como o Tesla Optimus.

Há também um ponto de atenção: o setor discute o consumo de energia e água destes centros de dados. As melhorias de eficiência que a NVIDIA apresenta são um bom sinal, mas ainda têm de ser confirmadas em operação real.

Perguntas frequentes

O Vera Rubin é um computador para uso doméstico?

Não. É uma plataforma de centro de dados para treinar e executar modelos de IA. Não é vendida como PC nem como placa gráfica para jogos.

O computador é mesmo “sem cabos”?

A bandeja de computação não tem cabos internos nem mangueiras ou ventoinhas, mas liga-se à energia e à rede do rack. O sistema completo continua a precisar de cablagem e tubagem do centro de dados.

Quando chega ao mercado?

A NVIDIA diz que já está em produção desde agosto de 2026 e que há racks em nuvens de grandes empresas. Os contentores DSX POD pré-montados deverão ser entregues a partir do início de 2027.

Os ganhos de 30 vezes são reais?

São afirmações da NVIDIA, medidas em condições específicas e com comparações que variam entre apresentações. Vale a pena esperar por testes independentes antes de tomar o número à letra.

Fontes: reel da TV Connect USA (Instagram, vídeo da NVIDIA); The GPU: balanço da keynote GTC Berlim 2026; PANews: estratégia de fábricas de IA e Vera Rubin; Tom’s Hardware: Vera Rubin NVL72. Os números de desempenho e de tempos de montagem são da NVIDIA e não foram verificados de forma independente.

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