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Só 32% dos robôs humanoides têm tamanho humano: e o Optimus?

Robôs humanoides pequenos em frente a um robô de tamanho humano, imagem sobre a mudança no mercado de humanoides em 2026

Quando se fala em robôs humanoides, a imagem que quase toda a gente tem na cabeça é a de uma máquina com a nossa altura, a andar sobre duas pernas e a pegar em caixas numa fábrica. É exatamente a aposta da Tesla com o Optimus. Mas uma análise divulgada a 3 de outubro de 2026 sugere que o mercado real está a ir noutra direção: mais pequena, mais barata e, na maioria dos casos, nem sequer bípede.

Os números vêm da corretora BTIG e merecem uma leitura calma, porque dizem muito sobre o que se está de facto a fabricar, mas pouco sobre quem vai ganhar dinheiro com isso. Vamos ver o que a análise mostra, porque é que os robôs pequenos estão a ganhar terreno e porque é que isso não “mata” o Optimus.

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Os números da BTIG: 31 000 robôs, 32% de tamanho humano, 13% bípedes

Segundo a BTIG, o universo analisado ronda os 31 000 robôs humanoides já produzidos por fabricantes líderes, como a Unitree e a AgiBot, ambas chinesas. Desse total, apenas 32% são modelos de tamanho humano, e só 13% são bípedes, ou seja, andam sobre duas pernas. A notícia, divulgada pelo GuruFocus, descreve uma indústria a inclinar-se para robôs de meio tamanho, ao contrário do modelo que a Tesla tornou famoso.

Dois pormenores ajudam a interpretar isto. Primeiro, se só 13% são bípedes, os restantes 87% usam outras formas de se deslocar, provavelmente rodas ou bases fixas, embora a notícia não detalhe esse ponto. Segundo, a análise liga o crescimento do setor aos robôs pequenos e baratos, sobretudo os da Unitree, cujos modelos custam entre 4 900 e 21 500 dólares e são vendidos a programadores e instituições de ensino. A BTIG prevê ainda que as entregas da Unitree dupliquem em 2026.

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O que quer dizer “humanoide” afinal?

A palavra engana. Na prática, “humanoide” cobre uma família larga de máquinas com tronco, braços e cabeça, que vão desde robôs de secretária do tamanho de uma criança até máquinas com 1,80 metros. Nem todos têm pernas, e muitos nem precisam de andar para fazer o trabalho para que foram comprados. É por isso que a percentagem de bípedes é tão baixa: andar sobre duas pernas é das coisas mais difíceis e caras de resolver em robótica.

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Porque é que os robôs pequenos estão a ganhar terreno

A BTIG aponta o preço e o tipo de cliente como motores do crescimento. Há também uma razão de engenharia que ajuda a perceber o fenómeno: quanto maior é o robô, mais energia e mais potência nos motores são precisos para o mover, e o custo e a dificuldade sobem muito mais depressa do que a altura. Um robô de 1,30 metros é bastante mais simples de fazer, de alimentar e de manter seguro à volta de pessoas do que um de 1,80.

Esta tabela mostra como os modelos mais conhecidos se comparam. Os valores são indicativos, porque os preços variam conforme a versão (por exemplo, as edições para investigação custam mais) e nem todos os fabricantes publicam tabela.

RobôAlturaPesoPreço (indicativo)Estado
Unitree R1cerca de 1,23 m27 a 29 kg4 900 a 5 900 USDÀ venda
Unitree G1cerca de 1,32 m35 kga partir de cerca de 13 500 USDÀ venda (com lista de espera)
Unitree H2cerca de 1,82 m70 kg29 900 USDÀ venda
Tesla Optimuscerca de 1,73 m (geração anterior)57 kg (geração anterior)Sem preço; meta de 20 000 a 30 000 USDUso interno na Tesla

Repara na curva: o robô mais pequeno da Unitree custa uma fração do maior, e até o maior fica abaixo da fasquia que a Tesla diz querer atingir com o Optimus. A diferença é que a Unitree vende hoje, e a Tesla ainda não vende a ninguém.

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A aposta contrária da Tesla: o Optimus de tamanho humano

A lógica da Tesla é diferente. Um robô com o tamanho e a forma de uma pessoa consegue trabalhar em espaços feitos para pessoas, com escadas, prateleiras, ferramentas e postos de trabalho que já existem, sem obrigar a refazer a fábrica. É uma aposta coerente, e é por ela que Elon Musk defende que o Optimus poderá vir a ser o maior produto da história da Tesla.

O problema é o calendário. Segundo o relatório de resultados do segundo trimestre, divulgado a 22 de julho, a Tesla estava a instalar as primeiras linhas de produção do Optimus em Fremont e antecipava a produção para mais tarde este ano. Na chamada de resultados do primeiro trimestre, Musk avisou que o arranque seria muito lento, porque o robô tem cerca de 10 000 componentes únicos e uma linha de produção totalmente nova. Não existe, até hoje, uma contagem oficial de Optimus produzidos. E as especificações públicas mais completas são as da geração anterior, já que a nova versão não tem dados oficiais confirmados.

Se acompanhas o Tesla Cybercab, o padrão é familiar: a Tesla apresenta uma visão ambiciosa e depois enfrenta o caminho longo da produção em série.

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Volume não é o mesmo que valor

Aqui convém travar o entusiasmo. Os 31 000 robôs da BTIG são, em grande parte, máquinas vendidas a laboratórios, universidades e programadores, não a fábricas. Produzir muitos robôs pequenos mostra que há procura por plataformas baratas para experimentar, e isso é real. Mas não prova que esses robôs estejam a fazer trabalho útil em escala, nem que o negócio seja lucrativo.

Quem tem robôs a trabalhar de verdade

Segundo uma análise da Technology.org, os registos de utilização mais sólidos pertencem à Figure e à Agility Robotics, não à Tesla. A Agility terá o Digit a operar em nove instalações de clientes, com mais de 65 000 horas de trabalho acumuladas, em empresas como a GXO, a Schaeffler, a Toyota Canada e o Mercado Libre. São robôs pensados para tarefas concretas, e não para impressionar em demonstrações.

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A guerra dos números e a questão do lucro

Os números de produção também são disputados. A consultora Omdia atribui à AgiBot 5 168 unidades em 2025 e 39% do mercado mundial, enquanto a Unitree afirma ter entregue mais de 5 500 e contesta esse ranking. E vender muito não garante lucro: a mesma análise refere que o lucro líquido da Unitree no primeiro trimestre de 2026 caiu 52% em termos homólogos, apesar do entusiasmo bolsista pelo setor.

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Então quem tem razão?

Provavelmente ambos, porque não estão a competir no mesmo mercado. De um lado, há robôs pequenos e baratos para ensino, investigação, entretenimento e, mais tarde, talvez serviços. Do outro, há robôs de tamanho humano pensados para tarefas pesadas em espaços construídos para pessoas. A BTIG mostra que o primeiro mercado está a crescer depressa. Não mostra que o segundo falhou, só que ainda não chegou à escala.

Há três coisas que valem a pena acompanhar nos próximos meses:

  • Quantos Optimus a Tesla produz e onde os usa. Sem números oficiais, o ceticismo é saudável.
  • Se os robôs pequenos saem dos laboratórios. O sinal decisivo é aparecerem em empregos reais, e não só em escolas e demonstrações.
  • Se o preço continua a cair. O custo é o fator que decide quase tudo em robótica, como o estudo da Anthropic sobre robôs e emprego também mostrou.
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O que isto muda para ti

Para quem não trabalha em robótica, a lição prática é que o robô que mais aparece nas notícias nem sempre é o que mais depressa chega ao mundo real. Se os robôs pequenos e baratos se espalharem primeiro, é possível que a automação chegue por vias menos visíveis do que o humanoide de fábrica, em tarefas mais simples e em espaços mais controlados. É um bom complemento ao que explicámos em Os robôs vão tirar o teu emprego?, onde vimos que o travão principal da automação é económico e não técnico.

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Perguntas frequentes

Porque é que a maioria dos robôs humanoides não é bípede?

Porque andar sobre duas pernas é tecnicamente difícil e caro. Muitos robôs usam rodas ou bases fixas, que são mais estáveis e baratas e chegam para as tarefas a que se destinam.

Os robôs pequenos vão substituir o Optimus?

Não necessariamente. Servem mercados diferentes: os pequenos dominam hoje a investigação e o ensino, enquanto o Optimus quer trabalhar em fábricas. Os números da BTIG mostram o que se produz, não o que vai resultar.

Quanto custa um robô humanoide?

Depende muito do tamanho. Os modelos da Unitree vão de cerca de 4 900 a 29 900 dólares. O Optimus ainda não tem preço de venda, apenas uma meta da Tesla de 20 000 a 30 000 dólares.

Já há humanoides a trabalhar em fábricas e armazéns?

Sim, mas em número reduzido. Os registos mais sólidos são os do Digit, da Agility Robotics, em instalações de clientes, e os da Figure.

Conclusão: o tamanho importa, mas não decide tudo

A análise da BTIG não prova que a Tesla esteja errada, mas é um aviso útil. A parte mais visível da indústria humanoide, a das máquinas do nosso tamanho, representa uma minoria do que se fabrica hoje, e o mercado que cresce mais depressa é o dos robôs pequenos, baratos e vendidos a quem quer experimentar. A pergunta que fica para 2027 é se o Optimus consegue provar, com números, que o tamanho humano compensa o custo.

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Fontes consultadas

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