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Burlas por WhatsApp e SMS: como reconhecer e o que fazer se caíres num golpe

Mensagem de alerta no ecrã de um telemóvel, exemplo de aviso suspeito

«Olá, pai, este é o meu número novo. Podes ajudar-me com uma transferência urgente?» Uma mensagem destas chega todos os dias a milhares de pessoas, em Portugal e no Brasil, e há quem caia. As burlas por WhatsApp e SMS funcionam porque jogam com a pressa, o medo e a confiança. Não precisam de grandes conhecimentos técnicos: só de uma pessoa distraída no momento certo.

Neste guia mostramos os golpes mais comuns, os sinais que os denunciam, o que fazer se já clicaste ou transferiste dinheiro, e as defesas que bloqueiam a maioria das tentativas. É um tema para partilhar com os mais velhos da família, que são os alvos preferidos.

Resposta rápida

  • Pressa e dinheiro são o sinal nº 1. Se a mensagem pede dinheiro ou um código com urgência, para e confirma por outro canal.
  • Nunca dês códigos. O código de seis dígitos do WhatsApp, o do banco ou o do MB Way e do Pix não se partilham com ninguém.
  • Não cliques em links de SMS inesperados de CTT, Correios, bancos, Finanças ou transportadoras.
  • Liga ao contacto verdadeiro antes de transferir dinheiro a quem diz ser um familiar com número novo.
  • Ativa a verificação em dois passos no WhatsApp e nas contas principais.
  • Se caíste: contacta o banco logo, muda as palavras-passe e apresenta queixa.
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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Os golpes mais comuns em 2026

GolpeComo começaSinal de alarmeO que fazer
«Mudei de número»Mensagem de um número desconhecido, a dizer ser um filho, mãe ou pai com telemóvel novoPede transferência urgente e diz que não pode falarLiga para o número antigo ou faz uma pergunta que só a pessoa saberia
Falsa entrega (CTT, Correios, transportadoras)SMS com link a pedir pagamento de uma taxa ou reagendamentoLink estranho, valor pequeno, erros de escrita, urgênciaNão cliques. Confirma na app ou site oficial
Falso suporte do bancoSMS ou chamada a dizer que a conta foi bloqueada ou que há movimentos suspeitosPede códigos, dados do cartão ou que instales uma appDesliga e liga para o número que está no cartão
Código do WhatsAppUm «amigo» diz que enviou o código por engano e pede-o de voltaPedido de um código de seis dígitosNunca partilhes. Ativa a verificação em dois passos
Comprador ou vendedor falsoEm sites de anúncios, a pessoa pede que continues a conversa no WhatsApp e envia um link de pagamentoLink de «receber o dinheiro», pedido de dados do cartãoUsa só os métodos de pagamento da própria plataforma
Trabalho fácil em casaMensagem a oferecer dinheiro por tarefas simples, como dar «gostos»Pagamento inicial pequeno e depois pedido de depósitoIgnora e denuncia. Um emprego sério não pede dinheiro
Investimento milagrosoGrupo «VIP» de cripto ou bolsa, com «testemunhos» de lucrosPromessa de retornos garantidos e pressaNão invistas. Verifica a entidade nos reguladores oficiais
Impostos e reembolsosMensagem a dizer que tens um reembolso das Finanças ou da Receita FederalLink para «receber», dados pessoais e bancáriosEntra no portal oficial digitando o endereço, nunca pelo link
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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Como reconhecer uma mensagem falsa

  • Urgência. «Responde já», «a tua conta será bloqueada hoje», «última oportunidade».
  • Pedido de dinheiro, códigos ou dados do cartão a quem nunca falou contigo.
  • Links encurtados ou com nomes quase iguais aos oficiais, por exemplo com letras trocadas.
  • Remetente desconhecido, muitas vezes com um número de outro país ou uma foto de perfil bonita.
  • Erros de português e tradução automática. Nem sempre aparecem, porque os burlões usam IA para escrever melhor.
  • Pedido para mudar de canal: «continua no WhatsApp» ou «clica aqui para falar com um agente».

Uma regra de ouro: quem te quer ajudar não tem pressa. Se alguém insiste em que ajas já, é provável que seja golpe.

O golpe do «mudei de número», passo a passo

É um dos mais frequentes e dos mais eficazes. Funciona assim: recebes uma mensagem de um número desconhecido, com a foto de perfil de um familiar (muitas vezes tirada das redes sociais), a dizer que o telemóvel avariou e que este é o número novo. Passados uns minutos, vem o pedido: uma transferência urgente para pagar uma conta ou resolver um problema, e a promessa de devolver o dinheiro no dia seguinte.

Como te proteger: telefona ao número antigo do familiar, ou fala com outra pessoa da família. Se a pessoa não atende, pede uma chamada de vídeo. Sugere que envie uma mensagem de voz. Muitas famílias combinam uma palavra-passe familiar, que só elas conhecem, para situações de emergência. Parece exagerado, mas funciona. Com a IA a conseguir imitar vozes, uma chamada curta, só com voz, já não é prova suficiente, por isso confirma sempre por outro caminho.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

O golpe do código do WhatsApp

Aqui o burlão tenta registar o teu número no telemóvel dele. O WhatsApp envia-te um código por SMS e ele precisa de o ter. Por isso contacta-te, muitas vezes a fingir ser um conhecido, a dizer que lhe enviou o código por engano e a pedir que o reencaminhes. Se o deres, perdes o controlo da tua conta e ele passa a falar com os teus contactos em teu nome.

Como te proteger: nunca partilhes o código e ativa a verificação em dois passos do WhatsApp (em Definições, Conta, Verificação em dois passos). Com ela, mesmo que o burlão tenha o código, precisa também do teu PIN. Se receberes um código sem o teres pedido, ignora e não reencaminhes. Para mais detalhes sobre a autenticação em dois fatores, vê o nosso guia.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Falsas entregas e falsos bancos por SMS

O SMS que diz «a sua encomenda está retida» ou «a sua conta foi bloqueada» é uma das formas mais usadas de phishing. O link leva a uma página que imita os CTT, os Correios, uma transportadora ou o teu banco. Lá, pedem-te que confirmes dados do cartão ou que paguem uma pequena taxa. O valor é baixo de propósito: o objetivo é recolher os dados do cartão e depois fazer compras com eles.

  • Não cliques no link, mesmo que tenhas encomendas a caminho.
  • Abre a app ou o site oficial escrevendo tu o endereço.
  • O banco nunca te pede por SMS ou chamada o PIN, os códigos de operação ou que instales uma app de acesso remoto.
  • Se recebeste uma chamada, desliga e liga tu para o número que está no verso do cartão ou no site do banco.

Como te defender: configurações que ajudam

  • Verificação em dois passos no WhatsApp, no e-mail e no banco.
  • Privacidade do WhatsApp: em Definições, Privacidade, limita quem te pode adicionar a grupos e quem vê a tua foto e o teu estado. Em versões recentes, há também a opção de silenciar chamadas de números desconhecidos e de bloquear mensagens de contas desconhecidas.
  • Não publiques dados sensíveis nas redes sociais, como nomes de familiares, datas e cartões.
  • Atualizações do telemóvel e das apps sempre em dia.
  • Limites no banco: define limites diários para transferências e MB Way ou Pix, e ativa alertas de movimentos.
  • Conversa em família: explica estes golpes aos mais velhos e combina uma palavra-passe de emergência.
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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Se já caíste: o que fazer, por ordem

  1. Contacta o banco de imediato, a qualquer hora, e pede o bloqueio do cartão e da conta digital. Se fizeste uma transferência recente, pede que tentem recuperar ou travar o valor. Quanto mais depressa, maiores as hipóteses.
  2. Muda as palavras-passe do e-mail, do banco e das redes sociais a partir de um aparelho seguro, e ativa o 2FA.
  3. Recupera o WhatsApp se o perdeste: reinstala a app, regista o teu número e usa o código recebido por SMS. Avisa os teus contactos para ignorarem pedidos feitos em teu nome.
  4. Guarda as provas: capturas de ecrã, números, links e comprovativos de pagamento.
  5. Apresenta queixa. Em Portugal, podes fazê-lo nas Queixas Eletrónicas ou numa esquadra, e reportar incidentes ao Centro Nacional de Cibersegurança. No Brasil, regista um boletim de ocorrência numa delegacia ou online e comunica ao banco.
  6. Denuncia o número no WhatsApp: abre a conversa, toca no nome e escolhe Denunciar e Bloquear.

Não te sintas envergonhado. Estes golpes são desenhados por profissionais e apanham pessoas de todas as idades e níveis de escolaridade. Quanto mais depressa agires, mais podes limitar o prejuízo.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

Para os mais velhos da família

Os mais velhos são alvos frequentes porque confiam mais e porque têm menos experiência com tecnologias novas. Algumas ideias práticas: ensina-os a nunca clicar em links de SMS, ajuda-os a ativar o PIN do WhatsApp, combina uma palavra-passe familiar e pede-lhes que te telefonem sempre antes de fazerem uma transferência. Se for possível, define limites baixos nas contas e ativa alertas no teu telemóvel para movimentos grandes.

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Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

O que dizem as autoridades portuguesas

O Banco de Portugal tem repetido alertas sobre tentativas de fraude por mensagem e por chamada. Num aviso divulgado em outubro de 2025, descreve o padrão habitual: o burlão faz-se passar por uma entidade de confiança (energia, água, telecomunicações, serviços públicos) ou por uma pessoa conhecida, cria uma situação de urgência, aplica pressão emocional e pede o pagamento por referência Multibanco, transferência para IBAN, MB WAY ou através de uma ligação falsa. Em abril de 2026, a imprensa portuguesa noticiava ainda o aumento das fraudes em que o burlão se faz passar por um administrador ou chefe para pedir transferências urgentes.

O que estes avisos têm em comum é a combinação de urgência com um meio de contacto pouco habitual. Uma entidade legítima não exige pagamento imediato por SMS, e-mail ou WhatsApp. Se te sentires pressionado a decidir em minutos, essa pressão é, por si só, o principal sinal de alarme.

Golpes com MB WAY e referências Multibanco

Os pagamentos instantâneos são os preferidos dos burlões porque são rápidos e difíceis de reverter. Os esquemas mais frequentes incluem um falso comprador em sites de anúncios que te pede para «receber» um MB WAY, mas na verdade te faz aprovar um pagamento; um pedido de pagamento de uma «taxa» para libertar uma encomenda; e uma suposta dívida de serviços com referência para pagar. Antes de aprovares um pagamento, confirma sempre o nome do destinatário no ecrã de confirmação, incluindo no MB WAY, e o valor. Se o nome não corresponde ao que esperas, cancela.

Burlas que imitam chefias e colegas

Nas empresas, é cada vez mais comum receber uma mensagem, por vezes com o nome e a fotografia do diretor, a pedir uma transferência urgente ou a compra de cartões-presente. Os sinais são sempre os mesmos: pedido fora do circuito normal, pressão para manter segredo e pressa. A defesa é um procedimento: qualquer pedido de pagamento fora do habitual é confirmado por outro meio (uma chamada para um número que já tens guardado) antes de qualquer ação.

Lista de verificação de 30 segundos antes de reagires

  • Quem diz que é e por que canal contactou? Uma empresa a contactar-te pelo WhatsApp com um número desconhecido é suspeito.
  • O que pedem? Dinheiro, códigos, palavras-passe ou instalação de uma aplicação são pedidos que nunca devem ser feitos nestas condições.
  • Há urgência ou ameaça? «Conta bloqueada», «último aviso» e «responsabilidade criminal» são clássicos.
  • Consegues confirmar por outro caminho? Liga para o número oficial que está no site ou no cartão, não para o que vem na mensagem.
  • O link parece certo? Escreve tu o endereço no navegador em vez de clicar.
  • Se mesmo assim tiveres dúvidas, não pagues e não partilhes dados até teres a certeza.

Quem contactar e onde denunciar

Se foste vítima ou apenas recebeste uma tentativa, vale a pena denunciar, porque ajuda a travar outras vítimas. Se já fizeste um pagamento, contacta imediatamente o teu banco, de preferência por telefone, para tentar bloquear ou reverter a operação, e altera as palavras-passe das contas afetadas. Depois, apresenta queixa à PSP, à GNR, à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público, que o Banco de Portugal indica como destinos para denúncias. Podes também comunicar o incidente ao Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS). Guarda sempre as provas: capturas de ecrã, números, mensagens e comprovativos de pagamento.

Perguntas frequentes

Recebi um SMS suspeito dos CTT ou dos Correios. O que faço?

Não cliques no link. Abre o site oficial escrevendo tu o endereço, ou a app, e verifica se tens uma encomenda. Apaga a mensagem e, se quiseres, denuncia-a ao teu operador ou às autoridades.

Se eu clicar num link por engano, a minha conta é roubada logo?

Nem sempre. O perigo está em introduzir dados na página para onde o link leva ou em instalar algo. Se clicaste e não deste nada, fecha a página. Se deste dados do cartão, contacta o banco. Se instalaste uma app, desinstala-a e muda as palavras-passe.

O WhatsApp pode ser invadido sem eu dar o código?

O mais comum é o burlão convencer-te a dar o código. Ativar a verificação em dois passos reduz muito este risco. Também convém ter o telemóvel e a app atualizados e não instalar versões modificadas do WhatsApp.

As chamadas de vídeo provam que é mesmo o meu familiar?

Ajudam, mas já existem ferramentas de vídeo e voz falsos. Complementa com uma pergunta que só a pessoa saberia ou com a palavra-passe familiar.

Posso recuperar o dinheiro de uma transferência feita a um burlão?

Às vezes, se agires muito depressa e o banco conseguir travar a operação. Quanto mais tempo passar, mais difícil é. Contacta o banco de imediato e apresenta queixa.

O meu banco pode ligar-me a pedir códigos?

Não. O banco nunca te pede palavras-passe, códigos de aprovação ou a instalação de aplicações por telefone, SMS ou mensagem. Se alguém que diz ser do banco te pedir isto, desliga e liga tu para o número que está no verso do teu cartão.

Posso recuperar o dinheiro depois de ser burlado?

Nem sempre, e quanto mais cedo agires, melhores são as probabilidades. Contacta o banco imediatamente para tentar bloquear a transferência e apresenta queixa. Alguns casos permitem reembolso, mas depende das circunstâncias e das regras de cada instituição, por isso não há garantias.

Devo responder ao burlão para o «enganar» ou perceber melhor?

Não. Qualquer resposta confirma que o número está ativo e que alguém lê as mensagens, o que pode levar a mais tentativas. Bloqueia, denuncia a conta no WhatsApp e apaga a mensagem depois de guardares as provas necessárias.

Fontes: Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS); Queixas Eletrónicas; Centro de Ajuda do WhatsApp. Os nomes dos menus podem variar com a versão da aplicação. Em caso de dúvida, confirma sempre por outro canal. Alertas e recomendações: Banco de Portugal (aviso de outubro de 2025, via RTP) e imprensa portuguesa, consultados a 24 de outubro de 2026.

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